Balanço Social Digital e a Era do ESG: Transparência Algorítmica como Mecanismo de Governança no Setor Sucroenergético
DOI:
https://doi.org/10.20397/2177-6652/2026.v26i2.3419Palavras-chave:
ESG Digital; Balanço Social Digital; Transparência Algorítmica; Inteligência Artificial; Blockchain.Resumo
1) Título do trabalho Balanço Social Digital e a Era do ESG: Transparência Algorítmica como Mecanismo de Governança no Setor Sucroenergético.
2) Objetivo (obrigatório) O artigo tem como objetivo propor a integração dos conceitos de Balanço Social Digital e ESG Digital como um marco inovador de governança socioambiental para o setor sucroenergético brasileiro. Especificamente, o trabalho busca propor e avaliar ex-ante um modelo teórico-conceitual que, por meio da utilização de Inteligência Artificial (IA) e tecnologia Blockchain, seja capaz de demonstrar a viabilidade de transformar relatórios de sustentabilidade em sistemas dinâmicos e auditáveis. Com isso, o estudo pretende reduzir assimetrias informacionais, mitigar o risco moral e validar as práticas de governança empresarial do setor.
3) Metodologia/procedimentos metodológicos (obrigatório) O estudo caracteriza-se como um ensaio teórico que adota a abordagem metodológica de Design Science Research (DSR) para criar e propor um artefato conceitual tecnológico. A pesquisa foi dividida em quatro etapas interdependentes: revisão sistemática da literatura para diagnosticar limitações dos relatórios vigentes; construção da arquitetura e modelagem estrutural do Balanço Social Digital integrando IoT, IA e Blockchain; avaliação de viabilidade utilizando dados reais do mercado brasileiro no biênio 2022-2023 por meio de uma triangulação algorítmica; e estruturação da governança participativa através de plataformas públicas. Como base teórica, o estudo adotou as abordagens da Teoria da Agência e da Teoria dos Custos de Transação.
4) Originalidade/Relevância (obrigatório) O trabalho insere-se no gap teórico resultante das limitações e do esgotamento de modelos tradicionais e estáticos de relato socioambiental, como IBASE, ETHOS e GRI. A literatura demonstra que a natureza voluntária e retrospectiva destes relatórios torna-os vulneráveis à seletividade de informações (cherry-picking) e ao greenwashing. A relevância e originalidade da pesquisa residem na proposição do conceito de "transparência algorítmica", que une a infraestrutura tecnológica para transferir a métrica ESG da autodeclaração humana para a observação autônoma, atuando de forma contínua e imutável para mitigar a profunda assimetria de informações presente nas cadeias do agronegócio.
5) Principais resultados (obrigatório) A proposta comprovou que o modelo do Balanço Social Digital supera problemas técnicos, como o "Problema do Oráculo", ao aplicar a Triangulação de Consistência Multimodal, exigindo Assinatura do Sensor, Consistência Geoespacial e Consistência Regulatória antes de registrar as informações na Blockchain. Na Prova de Conceito (PoC), envolvendo uma amostra de relatórios do biênio 2022-2023, o sistema detectou uma taxa de divergência de 30% entre as declarações corporativas e os dados geoespaciais reais. O resultado atesta que a substituição de auditorias tradicionais por um monitoramento autônomo viabiliza a detecção de greenwashing, como nos casos de supressão de vegetação nativa não reportada, convertendo o acompanhamento socioambiental em um dado verificado e inalterável.
6) Contribuições teóricas/metodológicas (obrigatório) A principal contribuição teórica consiste na transposição do paradigma da Teoria da Legitimidade em direção à economia política da governança corporativa, utilizando infraestrutura tecnológica para solucionar a alta assimetria informacional inerente à Teoria da Agência. Metodologicamente, a integração de camadas de Zero-Knowledge Proofs (ZKP) associadas a uma Consortium Blockchain inova ao permitir a comprovação fidedigna de conformidade socioambiental em tempo real, sem a necessidade de expor segredos industriais ou incorrer nos altos Custos de Transação inerentes à fiscalização tradicional em vastas áreas rurais.
7) Contribuições sociais / para a gestão (opcional) Para a gestão, o estudo oferece ferramentas ativas de monitoramento em tempo real que preveem riscos socioambientais e impedem, mediante contratos inteligentes, que falhas de fornecedores e externalidades ocultas se convertam em sanções ou em quebra de credibilidade da usina controladora. Ao garantir dados altamente confiáveis e descentralizados, o sistema qualifica as organizações para capturar o "prêmio verde" (greenium), reduzindo custos de capital, facilitando acesso a finanças internacionais e lastreando de forma segura a emissão de Créditos de Descarbonização (CBIOs). Socialmente, o modelo favorece a democratização do acesso a essas informações, ajudando a empoderar trabalhadores rurais e comunidades locais para atuarem como fiscais atuantes do desenvolvimento sustentável.
Referências
Aslam, J., Qazi, A., Lai, K. H., & Saleem, A. (2026). Urban mobility and transportation in circular cities: Integrating blockchain–AI digital solutions. Transport Policy, 104139. https://doi.org/10.1016/j.tranpol. 2026.104139
Badr, M., Naoufal, R., & Ahmed, A. (2026). Integrating Artificial Intelligence and Blockchain for the Resilience of Sustainable Multimodal Transport: A Systematic Review. Multimodal Transportation, 100298. https://doi.org/10.1016/j.multra.2026.100298
Beniiche, A. (2020). A study of blockchain oracles. arXiv preprint arXiv:2004.07140. https://doi.org/10.48550/arXiv.2004.07140
Boller, M. L., Grabinger, T., Zurwehme, A., & Krupitzer, C. (2025). Sustainability certification in the digital era: A qualitative analysis of sustainability reports across product categories. Future Foods, 100881. https://doi.org/10.1016/j.fufo.2025.100881
Dai, J., & Vasarhelyi, M. A. (2017). Toward blockchain-based accounting and assurance. Journal of Information Systems, 31(3), 5-21. https://doi.org/10.2308/isys-51804
Daniel, J., Maroun, E. A., Garza-Reyes, J. A., El Jaouhari, A., & Samadhiya, A. (2026). From information asymmetry to transparency: blockchain-enabled digital transformation in manufacturing supply chains. Supply Chain Management: An International Journal, 1-22. https://doi.org/10.1108/SCM-09-2025-0903
Degregori, G., Brescia, V., Calandra, D., & Secinaro, S. (2026). Evaluating sustainability reporting in SMEs: insights from an ethical cooperative bank’s approach. Journal of Global Responsibility, 17(2), 416-432. https://doi.org/10.1108/JGR-10-2024-0197
Flammer, C. (2021). Corporate green bonds. Journal of Financial Economics, 142(2), 499-516. https://doi.org/10.1016/j.jfineco.2021.01.010
Hevner, A. R., March, S. T., Park, J., & Ram, S. (2004). Design science in information systems research. MIS Quarterly, 28(1), 75-105. https://doi.org/10.2307/25148625
Horváth, D. (2023). Money in the digital age: Exploring the potential of central bank digital currency with a focus on social adaptation and education. *Sustainable Futures*, 6, 100136. https://doi.org/10.1016/j.sftr. 2023.100136
Jensen, M. C., & Meckling, W. H. (1976). Theory of the firm: Managerial behavior, agency costs and ownership structure. Journal of Financial Economics, 3(4), 305-360. https://doi.org/10.1016/0304-405X(76)90026-X
Kosba, A., Miller, A., Shi, E., Wen, Z., & Papamanthou, C. (2016). Hawk: The blockchain model of cryptography and privacy-preserving smart contracts. 2016 IEEE Symposium on Security and Privacy (SP), 839-858. https://doi.org/10.1109/SP.2016.55
Li, Y. (2026). How AI Adoption Shapes ESG Performance in Manufacturing: The Mediating Role of Digital Transformation. Available at SSRN 5722030. https://doi.org/10.1016/j.frl.2026.109672
Manogna, R. L., Singh, Y. P., & Singh, K. V. (2026). Green fintech adoption and ESG performance: Evidence from Indian listed firms. Social Sciences & Humanities Open, 13, 102528. https://doi.org/10.1016/ j.ssaho.2026.102528
Marquis, C., Toffel, M. W., & Zhou, Y. (2016). Scrutiny, norms, and selective disclosure: A global study of greenwashing. Organization Science, 27(2), 483-504. https://doi.org/10.1287/orsc.2015.1039
Nevi, G., Montera, R., Cucari, N., & Laviola, F. (2025). Integrating AI and ESG in digital platforms: New profiles of platform-based business models. Journal of Engineering and Technology Management, 78, 101913. https://doi.org/10.1016/j.jengtecman.2025.101913
Suchman, M. C. (1995). Managing legitimacy: Strategic and institutional approaches. Academy of Management Review, 20(3), 571-610. https://doi.org/10.5465/amr.1995.9508080331
Tawiah, B., Cho, E., Ofori, E. A., Suh, M., & Fei, B. (2025). Sustainable fashion transition towards net-zero future: A review of digital and material innovations, policies and regulatory framework. Sustainable Futures, 10, 101162. https://doi.org/10.1016/j.sftr.2025.101162
Tumpa, R. J., & Naeni, L. (2025). Improving decision-making and stakeholder engagement at project governance using digital technology for sustainable infrastructure projects. Smart and Sustainable Built Environment, 14(4), 1292-1329. https://doi.org/10.1108/SASBE-10-2024-0451
Walter, A., Finger, R., Huber, R., & Buchmann, N. (2017). Smart farming is key to developing sustainable agriculture. PNAS, 114(24), 6148-6150. https://doi.org/10.1073/pnas.1707462114
Williamson, O. E. (1981). The economics of organization: The transaction cost approach. American Journal of Sociology, 87(3), 548-577. https://doi.org/10.1086/227496
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Revista Gestão & Tecnologia

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Os direitos, inclusive os de tradução, são reservados. É permitido citar parte de artigos sem autorização prévia desde que seja identificada a fonte. A reprodução total de artigos é proibida. Em caso de dúvidas, consulte o Editor.